quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Competição por recursos causou extinção de linhagens de canídeos

Os canídeos surgiram, há 40 milhões de anos, na América do Norte, e dividiram-se em três subfamílias principais que conviveram por um longo período (foto: Divulgação)

Elton Alisson | Agência FAPESP – A concorrência por recursos entre diferentes linhagens de canídeos e outros grupos de carnívoros que habitaram a América do Norte ao longo dos últimos 40 milhões de anos causou a extinção de duas subfamílias da família Canidea, a que pertencem hoje os cães, raposas, lobos e coiotes, entre outros.
A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da University of Gothenburg, do Swiss Institute of Bioinformatics e do Gothenburg Botanical Garden, da Suécia, em colaboração com Tiago Bosisio Quental, professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).
Resultado do projeto “O papel das taxas de extinção e especiação e o efeito dos diferentes níveis de organização biológica na origem e manutenção da biodiversidade”, realizado por Quental com apoio da FAPESP, na modalidade Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, o estudo foi publicado na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
“Analisamos o registro fóssil de diferentes linhagens de Carnivora e os nossos resultados sugerem que a interação entre diferentes linhagens de canídeos e delas com outros grupos de carnívoros parece ter desempenhado um papel muito importante na extinção de duas subfamílias de canídeos”, disse Quental à Agência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, os canídeos surgiram há 40 milhões de anos na América do Norte e dividiram-se em três subfamílias principais – a Hesperocyoninae, a Borophaginae (chamados de “cães de esmagamento de ossos”) e a Caninae –, que conviveram por um longo período.
Duas dessas três subfamílias – a Hesperocyoninae e a Borophaginae – foram extintas em momentos diferentes ao longo desses 40 milhões de história evolutiva dos canídeos. A única subfamília sobrevivente foi a Caninae.
A fim de identificar o que levou as subfamílias Hesperocyoninae e a Borophaginae à extinção, os pesquisadores avaliaram cerca de 1,5 mil registros fósseis de 120 espécies de canídeos, que abrangem toda a existência da família na América do Norte ao longo dos últimos 40 milhões de anos.
Além disso, estudaram 744 registros fósseis de 115 espécies de famílias de grandes carnívoros que conviveram com os canídeos nesse período, como os felídeos – à qual pertencem hoje os tigres, leões, onças e gatos domésticos –, os Amphicyonidae(conhecidos como cães-urso), os Nimravidae (falsos dentes-de-sabre), os Barbourofelidae (outra linhagem de dentes-de-sabre) e os Ursidade (ursos).
Com base nesses registros fósseis, os pesquisadores estimaram o momento de surgimento e desaparecimento, a diversidade e as taxas de especiação e extinção das espécies de cada grupo ao longo dos últimos 40 milhões de anos.
A partir da análise desse conjunto de dados, eles avaliaram qual foi a contribuição da competição entre esses diferentes grupos de animais carnívoros, além da evolução do tamanho do corpo – que é um indicador de mudança de dieta – e as mudanças climáticas nas taxas de especiação e extinção das subfamílias Hesperocyoninae e Borophaginae.
Uma das conclusões do estudo foi que a concorrência por recursos desempenhou um papel mais importante na evolução dos canídeos do que as mudanças climáticas.
“Observamos que a concorrência entre linhagens diferentes de canídeos e com outros grupos de carnívoros contribuiu fortemente para o desaparecimento e a substituição das subfamílias Hesperocyoninae e Borophaginae, ao aumentar suas taxas de extinção e suprimir a especiação”, afirmou Quental.
saiba mais
O artigo The role of clade competition in the diversification of North American canids (doi: 10.1073/pnas.1502803112), de Quental e outros, pode ser lido por assinantes da PNAS em www.pnas.org/content/112/28/8684.full
fonte

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz)


Vive no sub-bosque da Mata Atlântica (Foto: Carlos Alberto Coutinho / TG)
Vive no sub-bosque da Mata Atlântica (Foto: Carlos Alberto Coutinho / TG)

Nome Científico: Bothrops alcatraz
Família: Viperidae
Ordem: Squamata
Distribuição: Ilha dos Alcatrazes, litoral Norte de São Paulo, ao largo de São Sebastião.
Alimentação: Invertebrados, sobretudo lacraias e centopeias, e pequenos anfíbios.
Reprodução: Vivípara (dá à luz filhotes).
Conservação: Ameaçada de extinção.

Endêmica da Ilha dos Alcatrazes, no litoral Norte paulista, a jararaca-de-alcatrazes é ativa durante a noite, sobretudo no chão ou na vegetação rasteira. Já durante o dia prefere repousar sobre troncos caídos, folhas de palmeiras ou em bromélias no chão.

Uma de suas estratégias de alimentação é ficar sob os poleiros de aves marinhas. A razão: a presença de centopeias no ambiente, um de seus “pratos” preferidos.

Aliás, foi graças a essa dieta na ilha que esta serpente tornou-se anã. O seu tamanho é igual ao das juvenis. Ou seja: adulta, não passa de 50 centímetros. Só para comparar, uma jararaca continental chega a medir 1,5 metro.

Até agosto de 2013 a principal ameaça à existência desta espécie foram os exercícios de artilharia realizados pela Marinha brasileira. Além do impacto dos projéteis, vez ou outra aconteciam incêndios de grandes proporções.

fonte

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Tartaruga Marinha Lora ou Kemps Ridley ( Lepidochelys kempii)



Tartaruga Lora ou Kemps Ridley


Nome Científico: Lepidochelys kempii
Nomes comuns: Lora ou Kemps Ridley
Status internacional: criticamente em perigo (classificação da IUCN)
Status no Brasil:
Distribuição: a maioria dos adultos existe no Golfo do México. Os juvenis variam entre áreas dos litorais tropicais do noroeste do Atlântico
Habitat: preferem áreas rasas com fundos arenosos e enlameados
Tamanho: entre 60 e 70cm de comprimento curvilíneo de carapaça
Peso: até 48 kg
Casco (carapaça): cinco pares de placas laterais com coloração verde-cinzenta-escura (nos adultos)
Cabeça: pequena e relativamente triangular
Nadadeiras: dianteiras e com uma unha; traseiras podem ter uma ou duas
Dieta: possuem mandíbulas poderosas que as ajudam a se alimentar de caranguejos, mexilhões, e camarões. Também gostam de peixes, anêmonas e medusas
Estimativa mundial da população: menos de mil fêmeas em idade reprodutiva

fonte


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Turistas impedem tartarugas em risco de extinção de desovar em reserva natural



A cena é triste. Centenas de turistas encheram as praias da Reserva de Vida Silvestre Ostional, no Estado de Guanacaste, na Costa Rica, impedindo as tartarugas marinhas de botarem seus ovos no local. Como se não bastasse a simples presença em massa dos ‘humanos’, eles tocaram os animais, pisaram em seus ninhos, fizeram fotos com flash e alguns inclusive colocaram seus filhos sobre as tartarugas para tirarem fotos. Muitas das tartarugas voltaram ao mar sem colocarem os ovos e portanto, sem a possibilidade de reproduzirem-se o que é especialmente grave, levando-se em conta que essa espécie, a Lora, é classificada como vulnerável. “Era tanta gente na praia que as tartarugas tropeçavam nas pessoas e algumas voltaram ao mar sem concretizar o processo de nidificação. Isso sem dúvida é um impacto negativo”, afirmou um integrante do Ministério do Meio Ambiente local em publicação feita no jornal argentino, La Capital.

Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.


Todos os meses as praias da reserva recebem a visita massiva de Tartarugas Lora, o que é chamado de “arribada”, mas desta vez, vários fatores como promoção através das redes sociais e condições climáticas favoráveis levaram a um descontrole turístico. Segundo a publicação, o processo foi prejudicado também porque as pessoas ingressaram à praia sem guia, o que é proibido. As autoridades asseguraram que já estão tomando medidas para que a situação não volte a ocorrer. O espetáculo de insensibilidade, ignorância e negligência das autoridades competentes ocorreu na semana passada.


Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Foto: SITRAMINAE.
Quem deseja se aprofundar no tema, aqui há um texto (em espanhol) bastante completo e interessante sobre.
Fotos: SITRAMINAE (Sindicado de Trabajadores de Ministério de Ambiente y Energia).
fonte
http://mochilabrasil.uol.com.br/noticias/turistas-impedem-tartarugas-em-risco-de-extincao-de-desovar-em-reserva-natural

Qual a Diferença entre tartaruga, jabuti e cágado?

qual-e-a-diferenca-entre-tartaruga-jabuti-e-cagadoSão diferenças que se manifestam principalmente no hábitat - aquático ou terrestre - e em características morfológicas (relacionadas ao formato do corpo) presentes nos cascos, nas patas e nos pescoços. Algumas dessas diferenças são tão sutis que costumam causar confusões - há, inclusive, exemplos em que o nome popular não bate com a definição científica. "É o caso da tartaruga-do-amazonas, que, morfologicamente, trata-se de um cágado, mas é chamada de tartaruga", afirma o biólogo Flávio Molina, da Fundação Zoológico de São Paulo. "Na região Norte, aliás, o termo tartaruga é aplicado apenas para essa espécie, uma vez que cada uma das outras espécies locais tem seu próprio nome, como tracajá, pitiú e iaçá", diz Flávio. Nomes regionais à parte, jabutis, cágados e tartarugas pertencem à ordem dos quelônios, que surgiu no período Triássico, entre 230 e 195 milhões de anos atrás. Desde então, os animais dessa ordem não sofreram grandes mudanças e continuam tendo como principal característica a presença do casco. Existem cerca de 260 espécies de quelônios no planeta.
Tartaruga
Assim são chamados genericamente todos os quelônios não classificados como cágados ou jabutis. As tartarugas podem ser tanto marinhas como de água doce. Elas têm o casco mais alto que o dos cágados. Outra diferença importante é que as tartarugas não dobram o pescoço para o lado ao recolhê-lo para dentro do casco, como fazem os cágados
Jabuti
Água não é com ele. O jabuti é o único entre esses três tipos de quelônio que vive exclusivamente na terra. Ele também pode ser facilmente identificado pelo casco alto e pelas patas traseiras em formato cilíndrico, que lembram as de um elefante
Cágado
Distingue-se do jabuti por ser um quelônio de água doce e não terrestre. Já as diferenças em relação às tartarugas são sutis. Os cágados possuem casco mais achatado e têm o pescoço mais longo
Classificação científicaDas 12 famílias em que se dividem os quelônios, 9 são de tartarugas
Subordem: Cryptodira
Entre os quelônios, são aqueles que, ao se protegerem, recolhem o pescoço sem dobrá-lo na entrada do casco
Jabutis
Família
1. Testudinidae
Tartarugas
Famílias
1. Carettochelyidae
2. Cheloniidae
3. Chelydridae
4. Dermatenydidae
5. Dermochelyidae
6. Emydidae
7. Kinosternidae
8. Trionychidae
9. Platysternidae
ORDEM: Quelônios
Animais que fazem parte da classe dos répteis e cuja principal característica é a presença de um casco envolvendo o corpo
Subordem: Pleurodira
São os quelônios que, para recolher o pescoço, precisam dobrá-los lateralmente para dentro do casco
Cágados
Famílias
1. Pelomedusidae
2. Chelidae
fonte

domingo, 20 de setembro de 2015

O brilho dos escorpiões. Entenda porque os escorpiões brilham no escuro



Escorpiões que brilham no escuro

A pesquisa de nome  “scorpion fluorescence and reaction to light”  realizada por Douglas D. Gaffin, Lloyd A. Bummb e Matthew S. Taylor da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos identificou o motivo do brilho dos escorpiões quando expostos a luz ultravioleta mesmo que esses animais não possam enxerga-la. Para este estudo foram utilizados cem escorpiões Paruroctonus utahensis. Durante a luz do dia os animais apresentam a coloração comum de acordo com cada espécie: amarelo, preto ou translúcido. Ao serem expostos sob a luz, eles passam a exibir uma coloração fluorescente. O brilho está presente em todas as espécies, inclusive nos exemplares mortos a anos atrás. O estudo publicado na revista Animal Behavior indica que o corpo desses animais funcionaria de maneira parecida a uma espécie de olho, que na verdade sente – e não enxerga – a presença dos raios UV como uma forma de defesa contra possíveis ameaças.

O biólogo Gaffin e sua equipe entenderam que a cauda desses animais seria extremamente sensível a luz que estimula as demais estruturas do corpo do escorpião, que enviam informações para o sistema nervoso e deixam todo o corpo em estado de alerta. Apesar da quantidade de olhos – algumas espécies chegam a ter seis pares – esses aracnídeos não possuem o sentido da visão muito bom. O corpo seria uma forma de detectar a luz ultravioleta e definir melhor o ambiente onde eles estão. O biólogo Gaffin na Universidade de Oklahoma acredita que esses animais tem a capacidade de identificar à luz e transforma-la em pigmentos verdes que facilitam a ‘identificação’ do ambiente.

 Porque os escorpiões brilham no escuro?

Porque os escorpiões brilham no escuro? Como os escorpiões foram coletados no deserto, e em plena escuridão e ainda sim, procuravam esconder-se embaixo de pedras e na pouca vegetação rasteira da região, acredita-se que esses animais fujam da radiação ultravioleta da lua e das estrelas. Os escorpiões cobaias da pesquisa foram submetidos em testes dentro de câmaras escuras e em seguida foram expostos a luz da qual eles tentavam fugir. Gaffin então teve a ideia de cobrir os olhos dos escorpiões com papel alumínio para evitar a incidência direta da luz, mas os escorpiões tentavam fugir da mesma maneira. Por fim, tentaram utilizar o protetor contra raios UV semelhante ao que usamos nas praias e piscinas, o que resultou na desorientação dos animais que posteriormente os levou a morte. 

A conclusão dos cientistas é de que o exoesqueleto dos escorpiões revestido de quitina identifica a luz ultravioleta. Agora o próximo passo é tentar reduzir o impacto que a luz causa a esses seres vivos.


sábado, 19 de setembro de 2015

3 pássaros venenosos do reino animal

Se você pensava que apenas animais como aranhas, cobras ou sapos eram perigosos por serem venenosos, se enganou. Embora nenhum pássaro descoberto atualmente possua uma “bicada venenosa”, algumas espécies são conhecidas por liberarem veneno entre suas penas, tornando-os perigosos para consumo dos predadores.
Atualmente, os mais conhecidos são os pássaros do gênero Pitohui, que possuem três espécies, das seis catalogadas, com potencial tóxico. Elas são aves canoras que habitam as florestas tropicais da Nova Guiné, único local onde há registro de aves venenosas.
Entre outras aves que também possuem veneno, cientistas suspeitam que todos os animais abrigam a substância em seus tecidos do corpo e penas depois de consumir besouros Melyrid, que transportam grandes quantidades de toxina. Aves criadas em cativeiro não parecem ter a substância em seus corpos.

Hooded pitohui (Pitohui dichrous)


Conhecidos na Nova Guiné como Hooded pitohui, estas aves com tons laranja e preto são conhecidas pelo alto nível de veneno no corpo. Cientistas acreditam que a toxina do animal seja resultado de sua alimentação de besouros venenosos, por exemplo. O mesmo fenômeno é observado em sapos da famíliaDendrobatidae que são nativos das florestas tropicais da América Central e América do Sul. Assim como nos sapos, a alimentação é a fonte das toxinas encontradas nos amimais.
O veneno do animal, conhecido como Homobatracotoxina, tem a capacidade de paralisia em partes do corpo como os músculos do coração.

Ifrit (Ifrita kowaldi)

pugetsoundbirds.org/reprodução

Conhecidos como Ifrit, os pássaros da espécie Ifrita kowaldi também ficaram famosos por seu nível de toxidade. Esses animais têm corpos de cor mais maçante e uma coroa proeminente de penas azuis. Estudos apontaram que o pássaro se alimenta de espécies de besouros que possui a mesma toxina encontrada em seu corpo, de acordo com a Academia de Ciências da Califórnia.

Little Shrikethrush (colluricincla megarhyncha)

Wikimedia Commons

O Little Shrikethrush (Colluricincla megarhyncha) é o terceiro tipo de pássaro venenoso descoberto em Papua Nova Guiné. Ele tem uma aparência simples em comparação com a espécie Pitohui e Ifrit, que são coloridos. As pequenas aves são cobertas de penas verdes-oliva e marrom, com pele cinza em seus pés e pernas. O animal prefere ambientes terrestres úmidos perto de lagos e rios. Em comparação às outras duas espécies, é a que, quando estudada, apresentou menor nível de veneno no corpo.

fonte