sábado, 9 de maio de 2015

XI Olimpíada Brasileira de Biologia-2015




O Núcleo de Proteção Ambiental  (NPA) dos Bombeiros Voluntários de Barra Velha e São João do Itaperiú SC, parabeniza a todos os Alunos Classificados para a 2ª fase da
 XI Olimpíada Brasileira de Biologia-2015

XI Olimpíada Brasileira de Biologia-2015


As Olimpíadas de Ciências são eventos internacionais que contam com a assinatura da UNESCO. Fomentar tais eventos não significa promover a competição, mas sim despertar e estimular o interesse pelas Ciências, proporcionar novos desafios aos estudantes; aproximar a universidade do ensino médio e, principalmente, permitir que os estudantes descubram nas ciências latu-sensu e na Educação a capacidade de crescimento intelectual, econômico e social.
Com a participação da Alemanha Oriental, Bélgica, Bulgária, Polônia, União Soviética e Tcheco-Eslováquia no ano de 1990 foi realizada a I Intenational Biology Olympiad, que como todas as demais olimpíadas de ciências visava não somente premiar, mas principalmente constituir instrumento que atinja o louvável objetivo de cativar o interesse pela ciência.
Até a XV IBO (2005) a Argentina era o único país da América do Sul a participar da competição internacional. Nosso país vizinho participa na IBO desde 1994, tem histórico de vitórias em sua participação nas olimpíadas, conta com uma olimpíada nacional de diversas fases, e no último ano foi sede deste importante evento internacional.
O Brasil, que já participava de todas as demais olimpíadas internacionais de Ciências, devia representação apenas na Olimpíada Internacional de Biologia (IBO), ciência das mais emergentes em termos de descobertas e interesse dos alunos às suas diversas ramificações – Ciências Biológicas, Biomedicina, Biofísica, Enfermagem, Medicina, Medicina Veterinária, Farmácia, Nutrição, Microbiologia e Imunologia dentre outras.
Um país como o Brasil, líder no Projeto Genoma, que realizou o seqüenciamento da bactéria Xylella fastidiosa e que tem uma importantíssima biodiversidade, além de uma agricultura desenvolvida, precisa mostrar sua força na área biológica e o preparo de sua juventude.
Visando suprir esta lacuna, a Associação Nacional de Biossegurança- ANBio enviou em 2004 para Brisbane, Austrália (durante a XV IBO) um representante como observador que conseguiu o apoio do Comitê Olímpico Internacional para organizar a Olimpíada Brasileira de Biologia e a participação da delegação brasileira na IBO seguinte – The 16th International Biology Olimpyad, realizada em Julho de 2005.
Desde então a ANBio tem buscado parceiros visando promover a inclusão dos estudantes brasileiros na elite científica mundial e de forma crescente tem investido na organização, divulgação e treinamento dos alunos para a participação na OBB e IBO.
No dia 08 de maio de 2005 o Brasil deu um largo passo no sentido da Educação e divulgação científica. As provas realizaram-se em 16 Estados da Federação, onde candidatos de nível médio tiveram seus conhecimentos testados em 120 questões objetivas.
O maior desafio foi mostrar questões alinhadas com o currículo de Biologia dos países de ponta; a Olimpíada torna-se um norte à qualidade do ensino biológico; fomenta o interesse em Biologia e principalmente estreita a ponte entre a Universidade e o Ensino Médio contribuindo para a divulgação de novas descobertas, a inclusão social e a aprendizagem científica dos alunos.
Em 2005 foi a primeira vez que o Brasil enviou uma delegação à Olimpíada Internacional de Biologia, sob a coordenação da ANBio, contando como parceiros o Ministério da Educação- MEC, o Ministério da Ciência e Tecnologia, A Universidade federal do rio de Janeiro, e sócios coorporativos da ANBio que acreditaram na importância desta iniciativa.
A partir de 2007 alguns países latino-americanos, inclusive o Brasil, assumiram um novo compromisso – a realização da I Olimpíada Ibero-Americana de Biologia. A primeira participação na OIAB (Cidade do México) teve o Brasil como primeiro colocado geral (1 medalha de ouro, 1 medalha de prata e 2 medalhas de bronze), superando países como a Argentina, Espanha, México, Peru e Bolívia. Desde então, nossos alunos selecionados através da OBB vem participando da OIAB, sempre com excelentes resultados. A participação do Brasil na OIAB tem sido fundamental no estreitamento dos laços educacionais entre os países Ibero-Americanos e motivado a participação de outros países (ex. Costa Rica, Venezuela, Cuba, Chile).
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Lista dos Aprovados para a 2ª fase 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Macacos de rabo dourado



ED. 230 | ABRIL 2015

Faixa grisalha na testa e cauda laranja são características do Callicebus miltoni
Faixa grisalha na testa e cauda laranja são características do Callicebus miltoni

Nos últimos 15 anos, especialistas descreveram seis novas espécies de macacos do gênero Callicebus,atualmente com 31 espécies. Agora, vem a público mais uma: o Callicebus miltoni, assim chamado em homenagem ao primatologista Milton Thiago de Mello. Descrito por pesquisadores do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros), do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e do Museu Paraense Emílio Goeldi, o Callicebus miltoni possui uma faixa grisalha na testa, costeletas e garganta ocre-escuras e cauda laranja (Papéis Avulsos de Zoologia, março). Caracterizados pela capacidade de delimitar território próprio e pelas vocalizações, principalmente nas manhãs, como forma de manter a distância entre os grupos, os animais dessa espécie foram avistados pela primeira vez em 2010 por Júlio César Dalponte, do Pró-Carnívoros, e parecem viver apenas em uma área de Floresta Amazônica limitada pelos rios Roosevelt e Aripuanã, nos estados de Mato Grosso e Amazonas. Metade dessa área encontra-se em terras protegidas (unidades de conservação ou reservas indígenas). Os animais desse gênero vivem nas árvores, reúnem-se em galhos entrelaçando as caudas e são chamados de zogue-zogue, ou rabo de fogo, pelos moradores das florestas em que vivem.

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Conheça as Abelhas Africanas



São parentes das vespas e formigas, além das outras abelhas, é claro.

Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Subordem: Apocrita
Superfamília: Apoidea
Família: Apidae
Gênero: Apis
Espécie: Apis mellifera
Subespécie: Apis mellifera scutellata.


A abelha africana veio do leste da África em 1956.

A colmeia de abelhas-africanas é irregular por fora, mas por dentro é bem organizada, e até 80 mil abelhas podem viver juntas numa mesma colmeia. 

Existem diversas funções dentro da colmeia, e cada abelha sabe exatamente o que fazer.

As operárias passam por diversas funções durante a vida, conforme a idade que elas têm.

Todas, durante algum tempo fazem parte da equipe que faz cera . As abelhas usam a cera para fazer os alvéolos, e usam os alvéolos para colocar ovos e larvas.

Quando produzem cera, fazem a síntese dos açúcares que retiraram do néctar, que foi retirado das flores.

A cera é feita em glândulas que ficam na parte de baixo da barriga da abelha. A cera sai em flocos. As abelhas que produzem a cera passam os flocos para outro grupo de operárias, que mastigam a cera, para que fique mais maleável.

Para que seja maleável, a cera tem que estar na temperatura certa (35°C), por isso, um grupo grande de operárias trabalha para manter a colmeia na temperatura certa.

Se estiver frio demais as abelhas produzem calor vibrando os músculos de vôo.

Se estiver quente demais, as abelhas abanam as asas.

Para construir os alvéolos a operária ergue as paredes até ficarem um pouco maiores que uma abelha adulta, todas as paredes tem a mesma altura e grossura.

Os alvéolos são construídos com forma hexagonal, um do ladinho do outro, como pode ver na foto ao lado. Podem ser milhares de abelhas operárias em uma única colmeia.

Na natureza, o ninho é oval como uma bola de futebol americano, pendurado em um galho ou dentro de um tronco oco. Todos os alvéolos são inclinados para cima para que nada derrame.

Os alvéolos podem ser usados para guardar os ovos, para ser depósito de mel ou  depósito de pólen.

Existem também alvéolos onde a rainha põe os ovos e alvéolos maiores para as novas rainhas.

As larvas alimentam-se de uma mistura de mel, sucos estomacais (das operárias que mastigam), e pólen.

As rainhas nascem larvas comuns, mas modificam-se quando alimentadas com a geleia real, que é uma mistura de mel, pólen e secreções especiais.

A abelha africana possui comportamento muito agressivo, e muitas delas podem até matar uma pessoa ou animal.

A criação de abelhas chama-se apicultura.

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terça-feira, 5 de maio de 2015

Conheça a Maior e a Menor Aranha do Mundo

Maior Aranha do Mundo (Theraphosa blondi)

aranha-golias-comedora-de-pássaros, também conhecida como aranha-golias ou tarântula-golias, é considerada o maior aracnídeo do mundo, em massa corporal . Endêmica do norte da Amazônia brasileira, é também encontrada na Guiana, no Surinamee na Venezuela. É uma espécie de tarântula.
É bastante conhecida por criadores de aranhas, chamando-lhes a atenção pelo seu tamanho (que chega a incríveis 30 cm ou até um pouco mais). É uma espécie que só deve ser manipulada por pessoas com experiência, pois apresenta um comportamento muito agressivo. É uma das aranhas que possuem órgãos estriduladores, o que permite fazer um barulho chiado quando ameaçada. Seus pelos abdominais são extremamente urticantes e sua picada é muito dolorosa devido ao tamanho de suas quelíceras (podem passar de 2 cm de comprimento). Esses animais podem viver mais de dez anos.
Esta aranha cava grandes tocas em zonas de bosque e nelas podem viver a vida inteira, com temperaturas variando anualmente de 21°C a 42°C (a temperatura média anual é de 28°C), em lugares úmidos, com umidade do ar variando de 80% a 90%.
Comem normalmente insetos como grilos, gafanhotos, baratas, mas podem comer pássaros, pequenos roedores, lagartos, sapos, algumas cobras e também têm comportamento canibalístico, podendo comer outras aranhas de sua espécie.


Classificação científica
Reino:Animalia
Filo:Arthropoda
Classe:Arachnida
Ordem:Araneae
Família:Theraphosidae
Género:Theraphosa
Espécie:T. blondi
Nome binomial
Theraphosa blondi
(Latreille1804)


Menor Aranha do Mundo (Patu digua)

Patu digua é uma espécie de aranha da família Symphytognathidae endêmica da Colômbia, considerada a menor do mundo . Seus machos podem atingir um tamanho de até 0,37 mm, tão pequeno quanto a cabeça de um alfinete . Entretanto, existem espécies de aranhas de tamanhos próximos em que se conhece apenas a fêmea. Visto que, em geral, machos de aranhas tendem a ser menores que suas respectivas fêmeas, é razoável supor que existam aranhas menores que P. digua.

Brasileira cria app que poupa água e ganha bolsa em universidade na Nasa

Mineira de 23 anos criou aplicativo para tornar plantações 'inteligentes'.
Tecnologia reduz em até 60% consumo de água na irrigação.



Um aplicativo que conecta o agricultor à sua plantação, reduzindo o consumo de água na irrigação, rendeu a uma brasileira de 23 anos uma bolsa para estudar em uma universidade na Califórnia ligada à Nasa (a agência espacial americana).

Mariana Vasconcelos, de 23 anos, criadora do Agrosmart (Foto: Divulgação/Agrosmart)
Mariana Vasconcelos, de 23 anos, criadora do Agrosmart (Foto: Divulgação/Agrosmart)

A administradora Mariana Vasconcelos, que mora em Itajubá (MG), foi selecionada entre mais de 500 pessoas para representar o Brasil como bolsista na Singularity University. A instituição, que funciona em um centro de pesquisa da Nasa no Vale do Silício, na Califórnia, selecionou empreendedores de 19 países para seu programa de imersão “Call to Innovation”.
Criada na fazenda do pai, Mariana desenvolveu em 2014 o Agrosmart, um aplicativo que promete tornar as plantações “mais inteligentes”.
A tecnologia utiliza sensores espalhados pelo campo, que avaliam a umidade do solo e a presença de pragas, entre outros parâmetros. Esses dados são interpretados pelo aplicativo, que indica ao agricultor os intervalos de irrigação e outras variáveis em tempo real.
Segundo Mariana, a tecnologia proporciona uma economia de água de até 60%. “A gente entende exatamente a necessidade hídrica da planta e calcula todo dia quanto deve irrigar. Às vezes, por desconhecimento, o agricultor utiliza uma quantidade de água muito acima do necessário”, explica.
No Brasil, cerca de 70% da água é utilizada na agricultura, segunda a Agência Nacional de Águas (ANA).
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fonte
http://g1.globo.com/economia/crise-da-agua/noticia/2015/04/brasileira-cria-app-que-poupa-agua-e-ganha-bolsa-em-universidade-na-nasa.html

domingo, 3 de maio de 2015

Cimento Ecológico

O cimento ecológico

por REDAÇÃO em 21/07/2014
Pesquisadores da Unesp e da Espanha desenvolvem argamassa feita a partir das cinzas do bagaço de cana-de-açúcar. Material, tem resistência similar à do convencional, mas sua fabricação gera menos emissões de dióxido de carbono
Reportagem de Fábio de Castro, com fotos da Agência Ophelia. 
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A PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR na safra 2014/2015 deverá ser de 672 milhões de toneladas, de acordo com previsão divulgada em maio pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com isso, estima-se que as mais de 300 unidades de produção sucroalcooleira em atividade no país deverão gerar cerca de 150 milhões de toneladas de bagaço. Aproveitar bem a imensa quantidade de bagaço de cana-de-açúcar que é gerada pelo processo de produção de açúcar e etanol é um desafio para a indústria sucroalcooleira.

Uma das estratégias consiste em queimar o bagaço, a fim de gerar energia e empregá-la no funcionamento das próprias usinas, possibilitando, assim, sua autossuficiência. Este recurso, no entanto, resulta na produção de toneladas de cinzas, que são depois integralmente descartadas. Mas um novo processo, desenvolvido por pesquisadores da Unesp em Ilha Solteira e da Universidade Politécnica de Valência (UPV), acena com a promessa de transformar futuramente estes resíduos em um recurso interessante para a indústria da construção civil.
A pesquisa é coordenada por Jorge Akasaki, do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (Feis). Mauro Tashima, professor da Feis que também trabalha no projeto, ressalta que, além de proporcionar uma solução para a destinação das cinzas, o cimento ativado alcalinamente – nome dado ao novo material – possui características similares às do cimento convencional. “Mas tem menor impacto ambiental, pois sua fabricação emite quantidades muito menores de CO2 na atmosfera”, diz.
Grupos de pesquisa de todo o mundo trabalham com materiais alternativos que são misturados ao cimento Portland, o nome pelo qual é conhecido o produto “padrão”. Mas o grupo de pesquisas Materiais Alternativos de Construção (MAC), da Feis, que conduz o estudo, deu um passo à frente ao gerar um material novo exclusivamente a partir de resíduos. “O método emprega apenas cinza de bagaço de cana-de-açúcar, escórias de altos–fornos industriais e uma solução alcalina”, explicou Tashima. “Não há qualquer adição de cimento.”
A cooperação com a UPV teve início em 2002, quando Jorge Akasaki realizou um pós-doutorado na instituição espanhola.
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A temporada de Akasaki na Espanha abriu caminho para a internacionalização do MAC, que envolveu o intercâmbio de alunos de graduação, pós-graduação e docentes pós-doutorandos da Unesp. Em 2013, José Luiz Melges, também integrande do MAC e professor da Feis, retornou ao Brasil, após realizar na UPV um pós-doutoramento que analisou a reutilização da cinza do bagaço de cana-de-açúcar na produção de aglomerantes ativados alcalinamente. Em junho deste ano estava prevista a chegada de três professores da UPV a Ilha Solteira. “Essa mobilidade internacional melhorou muito a qualidade das pesquisas e das publicações do nosso grupo”, avalia Akasaki.

Por conta dessa cooperação, Tashima foi à Espanha em 2006, onde cursou o doutorado sob a orientação de Jordi Payá e Maria Victoria Borrachero. Nesse período, foram dados os primeiros passos para a produção de um material alternativo cujo aglomerante não tivesse base no cimento convencional. O trabalho resultou no desenvolvimento de uma metodologia que pode ser aplicada a diversos materiais.
Coube ao mestrando Vinícius Castaldelli, que foi enviado à Espanha em 2012, descrever em sua dissertação a produção de aglomerantes ativados alcalinamente à base de cinza de bagaço de cana. O mestrado foi orientado por Akasaki e Tashima, e os resultados foram publicados em 2013 na revista Materials.
O cimento Portland é produzido usando-se duas matérias-primas naturais: calcário e argila. Os dois são moídos e calcinados a mais de 1.400 graus Celsius, formando o chamado “clínquer”. Esse material é então moído e misturado com gesso para se tornar o pó de cimento.
O cimento alternativo desenvolvido pelos pesquisadores, por outro lado, não necessita desses insumos. “Além da cinza de bagaço e das sobras de alto-forno, utilizamos apenas um ativador alcalino composto por hidróxido de sódio, silicato de sódio e água”, diz Tashima.
No início do processo, a cinza passa por um processo de moagem, resultando em um pó escuro e fino. Esse material é misturado com a escória e, depois de se tornar homogênea, a mistura é levada a uma máquina argamassadeira, que parece uma grande batedeira de cozinha. Adiciona-se uma solução que tem efeito ativador. Após cerca de 10 minutos na argamassadeira, a massa ganha uma consistência homogênea, e à continuação é adicionada areia. Isto conclui a etapa de preparação do material.
A mistura é a seguir despejada em moldes de formato prismático ou de cilindro. Esses moldes ficam sobre uma mesa que vibra. A vibração ajuda a expulsar o ar da mistura, tornando-a mais compacta. Nesta etapa são confeccionados os chamados “corpos-de-prova”, que é o nome dos objetos sólidos que serão submetidos a testes para definir as propriedades do material.
Em seguida, o molde é levado a uma câmara úmida, com ambiente totalmente controlado. O material fica ali por um tempo predeterminado. Depois de endurecer completamente, o corpo-de-prova vai para uma prateleira, onde fica armazenado até o dia dos testes, também chamados de ensaios.
O corpo-de-prova passa por diversos ensaios. No mais usual, ele é submetido a uma carga axial, que avalia sua resistência à compressão simples. Outros ensaios mais específicos investigam se o material é mais ou menos poroso, ou se pode suportar um ambiente sujeito a ataques químicos, por exemplo.
Durante o desenvolvimento da metodologia, os pesquisadores utilizaram cerca de duas toneladas de cinzas de bagaço de cana-de-açúcar, obtidas nas usinas sucroalcooleiras da região de Ilha Solteira, no oeste paulista. A moagem foi feita na Unesp e o material enviado à Espanha para o desenvolvimento do novo cimento. Cada corpo-de-prova gasta cerca de 150 gramas de sólidos.
Os resultados, publicados no artigo da Materials, são promissores. Dependendo das proporções da mistura utilizada, os cientistas conseguiram uma resistência de 60 megapascais, enquanto os testes realizados com cimento convencional espanhol indicaram uma resistência de aproximadamente 50 megapascais. “Demonstramos, assim, que a resistência à compressão é similar à do cimento convencional europeu”, diz Tashida.
Menos emissões
Mas se a resistência é semelhante, o impacto ambiental para a produção do cimento ativado alcalinamente é significativamente menor. A produção do clínquer envolve a decomposição do carbonato de cálcio, também chamado calcário. Esse processo resulta na liberação de grandes quantidades de CO2 na atmosfera. As estimativas são de que a fabricação de cada tonelada de cimento Portland libera algo entre 800 quilos e uma tonelada de CO2. Comparativamente, a produção do novo cimento resulta em emissões que podem ser entre 20% e 80% menores, dependendo das proporções da mistura.

Apesar das vantagens, Tashima acredita que o novo material dificilmente conseguirá competir de forma direta com o mercado de cimento Portland. Segundo ele, a indústria do cimento é tão bem estabelecida que seu desempenho no mercado é usualmente adotado como um indicador de crescimento econômico.
“É bastante improvável que se consiga substituir totalmente o produto tradicional, mas acredito que o cimento ativado alcalinamente irá se prestar a preencher certos nichos do mercado, valendo-se de suas especificidades. É plausível que ele ganhe espaço em virtude de certas exigências ambientais, cada vez mais cobradas internacionalmente”, avalia Tashima. Em países como a Austrália isso já está acontecendo. Lá, algumas empresas utilizam materiais alternativos com maior resistência a ataques químicos para pavimentação.
O próximo passo para as pesquisas será testar a fabricação do produto com cinzas obtidas a partir da queima do bagaço em temperaturas controladas, no próprio laboratório. “Por enquanto, trazemos para o laboratório as cinzas do bagaço produzidas nas usinas. Mas se fizermos uma queima controlada, poderemos obter, provavelmente, um produto com características mais satisfatórias”, aposta Tashima. 
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sábado, 2 de maio de 2015

A casa inovadora e sustentável de bambu que flutua em caso de inundações

Sempre existem milhares de soluções para um único problema, basta olhá-lo por outros ângulos e analisá-lo sob um ponto de vista prático, que é o caso desse projeto. Trata-se da LIFT House: (Low Income Flood-proof Technology ou, em tradução livre: Tecnologia à prova de Inundações de Baixo Custo)  uma solução inovadora para a habitação sustentável para comunidades de baixa renda em áreas sujeitas à inundações.
A casa foi feita para flutuar de acordo com a elevação do nível da água, e recuar ao nível do solo quando o nível baixar posteriormente, ou seja, em vez de restringir a passagem de água, a estrutura anfíbia trabalha com a natureza para conseguir proteção contra enchentes.
O projeto foi pensado e construído por Prithula ProSun, como resultado de sua tese de mestrado da Universidade de Waterloo, do Canadá, para auxiliar famílias de baixa renda que vivem em casas improvisadas na cidade de Dhaka em Bangladesh, que sofrem (e alguns perdem a vida) durante graves inundações por conta do transbordamento de rios, drenagem inadequada e chuva de monção.
A casa flutua por conta de duas técnicas: uma fundação de ferro-cimento oca e uma fundação com armação de bambu cheio de garrafas pets usadas, garantindo estabilidade na estrutura da casa que permanece estática no eixo vertical. Além disso, essas duas fundações são responsáveis por captar e filtrar a água da chuva durante o período chuvoso, que é armazenada e pode ser usada o ano todo. O material escolhido para a construção foi o bambu, que além de barato é abundante e de fácil reposição.
A casa foi projetada para ser autosuficiente, sem conexões com o sistema de abastecimento da cidade, que muitas vezes no entorno que essa população vive é muito precário. A LIFT possui também dois painéis solares de 60W que abastecem a casa para usar iluminação e ventiladores. O banheiro de compostagem compartilhada permite aos moradores criarem adubo a partir dos resíduos humanos que podem ser vendidos ou aplicados na horta após 10 anos de uso, a urina vai para o jardim através de uma tubulação no subsolo e funciona como fonte de nutrientes.
O projeto piloto foi testado com sucesso em 2010 e agora é o lar de uma família com cinco pessoas. Ele se concretizou devido a uma bolsa de pesquisa do Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDRC).
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